Nos ares de Buenos Aires
Um tanto quanto atrasada, resolvi fazer uma postagem descente sobre a viagem de Buenos Aires. Chegamos na cidade de noite, coisa que eu não gosto muito, mas o frio nos recepcionou muito bem e podemos já entender o que nos esperava. Como era de madrugada, chegamos no albergue e fomos para debaixo das cobertas descansar e dormir.
Nosso albergue não tinha recepção por isso nos entregaram as chaves que usaríamos para entrar. Três chaves, uma para cada porta. Não muito fáceis de manusear, mas lindas chaves antigas.

Tentamos não acordar muito tarde para não perder o café da manhã que nos recepcionou com Media Lunas (o “croissant doce” de lá. Na verdade eu nem deveria compará-la com um croissant, pois na minha opinião ela é muito mais gostosa) e o maravilhoso doce de leite argentino. Eu te garanto, se você nunca provou o doce de leite argentino, não sabe o que é um bom doce de leite.
Após o café da manhã eu estava eufórica para sair pela cidade seguindo o meu roteiro elaborado para a viagem, mas Luca preferiria voltar para cama e dormir mais um pouco. Eu venci, mas com o passar dos dias descobrimos que acordar muito cedo não era a melhor opção, afinal as lojas lá só abrem mais ou menos no horário de almoço, fato que me fez achar que os argentinos são bem preguiçosos.
Resolvemos dar uma volta pela ruas próximas e já escolher o restaurante que iríamos almoçar. À propósito, ficamos no Bairro de Palermo, excelente para quem gosta de variedade de restaurantes, feiras e lojas, mas ainda vou chegar na parte das compras mais à frente.
Pedido do almoço? Carne é lógico. Argentina definitivamente não é lugar para vegetarianos. Você já tem uma ideia da carne que te espera enquanto a espera e vê o tamanho da faca na mesa. Não lembro qual foi a carne que pedimos, mas registramos o sagrado momento.
Ao final de todo almoço nos surpreendíamos com o valor da conta. Para nós brasileiros é tudo muito em conta. Você pede entrada, prato principal, uma garrafa de vinho (argentino sempre) e sobremesa, come muito bem e paga muito pouco.


Depois do almoço as lojas já estavam abertas e é nessa hora que você pensa, “Real, não é que aqui você vale alguma coisa?!”. O que mais me chamou atenção foram as feiras. Elas acontecem nos finais de semana, por isso nada de ir para Buenos Aires sem passar um sábado e um domingo. Além das praças serem tomadas pelos stands, as lojas abrem seu espaço interno também. Uma maravilha para os nossos bolsos de Reais recém trocados/multiplicados por Pesos. Por isso, andem com bastante dinheiro, feira não aceita cartão de crédito. E aproveitem o final de semana para comprar tudo o que quiserem! Quando chega a segunda-feira tudo acaba. Pena que eu só fui descobrir isso tarde demais e deixei de comprar várias coisas que gostaria.
No sábado ficamos na feira do bairro mesmo.


No domingo era dia de ir à San Telmo e conhecer a famosa feira de antiguidades. O dia amanheceu chuvoso, mas não deixamos de ir, ainda bem, pois valeu muito a pena. O bairro de San Telmo é antigo e muito bonito. A feira é enorme e tem de tudo: óculos, jóias, roupas, móveis, etc. Luca comprou vinis por 10 pesos apenas.






Durante a semana fizemos um dos passeios que mais gostei, mas também o que mais sofri por conta do frio. Nos Bosques de Palermo a sensação térmica era sem dúvida muito mais baixa por conta dos lagos e das árvores. Demos uma boa andada pelos bosques e me diverti correndo atrás dos patos. Até pensamos em andar um pouco de pedalinho, mas só de pensar em chegar perto da água nos fez desistir na hora da ideia.



O passeio terminou no Jardim Japonês. O jardim é bem cuidado. As pontes vermelhas e as cerejeiras floridas deixavam o lugar muito bonito. As carpas estão tão acostumadas com as visitas que vão até a superfície esperando que alguém lhes dê comida. Tudo era lindo, mas o frio só aumentava à medida que a tarde ia terminando. Corri sérios riscos, pois minhas mãos estavam muito geladas e eu já não as sentia mais. Portanto uma dica muito importante, usem luvas!



No resto da semana fomos conhecer o centro da cidade. No caminho paramos no cemitério da Recoleta onde todos vão visitar o túmulo de Eva Perón. O cemitério é muito bonito. Famílias muito ricas são enterradas lá, por isso a maioria dos túmulos são enormes. As esculturas e estátuas são fantásticas. Anjos com o céu ao fundo nos renderam fotos belíssimas. Tinha ouvido dizer que o cemitério era repleto de gatos, acabei achando um bem esnobe que não deu muita bola para mim, mas gostou do meu carinho.



Chegando no centro da cidade Luca comprou um gorro peruano meio esquisito, mas devo admitir que ele ajuda muito na hora do frio. A arquitetura do centro é antiga, coisa que eu adoro. Não resisti e tirei foto dos postes e topo das construções.




Na volta resolvemos pegar o Subte, só por curiosidade mesmo, pois os táxis são MUITO baratos. O Subte é bem “underground”. Só aceita moedas. Pegamos um vagão que tinha até a janela aberta, fomos com o vento batendo no rosto, uma experiência bem engraçada.
Nosso último dia foi o dia de conhecer algum museu. Coisa que faço sempre em todas as minhas viagens. Fomos no Malba, Museu de Arte Latinoamericano. Havia uma exposição de fotografias bem interessantes. Como eu havia estudado Semiótica na universidade consegui entendê-las. Tentei explicar para Luca o verdadeiro conceito de fetiche, mas ele não acreditou em mim.
Na volta paramos para tomar o famoso sorvete Freddo. Sorvete e frio com certeza não combinam, mas achei que deveria provar, afinal falam tanto dele. Sinceramente? Não achei lá essas coisas.


Chegando no albergue fomos nos esquentar na lareira que estava acessa. Depois era hora de arrumar nossas malas, pois iríamos embora no dia seguinte bem cedo. A mala veio recheada dos inúmeros alfajores que compramos. Um de cada marca para assim decidir qual achávamos melhor. Nem pense que escolhi pelo famoso Havanna. Definitivamente os melhores são o Cachafaz, com uma cobertura bem durinha que faz “croc” quando você morde e o Jorgito com dupla camada de doce de leite. Ah, esse doce de leite argentino… ainda tenho um resto do pote que trouxe. Falando nisso, vou até a geladeira pegar uma boa colherada.

